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Crise hídrica não compromete fornecimento de energia no Nordeste, dizem especialistas

Participantes de audiência pública realizada nesta quarta-feira (6), afirmaram que, apesar da grave crise hídrica na região do Vale do São Francisco e no reservatório da barragem do Sobradinho, não haverá um comprometimento na distribuição de energia para o Nordeste. Eles falaram à Comissão Mista de Mudanças Climáticas, cujo presidente, senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE), requereu a audiência pública.

O diretor de Operação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Henrique de Araujo Franklin Neto, ressaltou que a vazão mínima em Sobradinho baixou de 1.300 m³ por segundo em 2013 para 550 metros³ em setembro de 2017. Segundo ele, a preocupação da Chesf é com a garantia do abastecimento humano e projetos irrigação e não com questão energética.

De acordo com João Henrique, o setor elétrico tem fontes alternativas que garantem uma segurança energética para o Nordeste, entre elas as eólicas e térmicas. Segundo ele, atualmente, apenas 15% da demanda energética do Nordeste são atendidos, em termos de consumo energético, pelo São Francisco. Em contrapartida, segundo o diretor da Chesf, no último final de semana, houve uma geração de 6.800 megawatts pela fonte eólica, representando 65% do atendimento ao consumo do Nordeste.

— Nessa hora, chegamos a exportar energia para outras regiões do país. Apesar da crise hídrica do São Francisco, o Nordeste é autossuficiente para gerar o atendimento necessário a seus consumidores e ainda exportando energia para outras regiões do país — disse.

Medidas

Apesar de afirmarem que a situação está controlável nos próximos meses, os debatedores manifestaram preocupação com a continuidade da crise hídrica na região e com futuras crises que o país possa enfrentar.

De acordo com o diretor presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, medidas estruturantes precisam ser colocadas em prática no São Francisco para que, numa outra crise futura, a região tenha melhor condição de segurança hídrica. Para Vicente, é preciso que todos os atores se envolvam e se comprometam no sentido de compartilhar o processo de decisão das medidas que serão tomadas.

— Estamos falando de uma bacia de 630 mil Km². O gerenciamento de uma crise precisa buscar repartir os riscos em toda a bacia — ponderou.

Vicente também ressaltou como medida estruturante fundamental a mudança da prioridade da bacia do São Francisco da geração de hidroeletricidade para segurança hídrica.

— Significa que, evidentemente, a geração hidrelétrica deve ser mantida como prioridade, mas não mais como uma prioridade que determine a condição de operação dos reservatórios. Eles têm que ser operados para manter a segurança hídrica — destacou.

Representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) ressaltaram o trabalho que tem sido feito pela companhia para atender a demanda para o abastecimento humano e para projetos de irrigação. Desassoreamento de canais e instalação de sistemas de captação sobre flutuantes foram algumas das medidas mencionadas pelo diretor da Companhia, Luis Napoleão Casado. No entanto, Luis ressaltou o limite orçamentário da Codevasf e pediu apoio na arrecadação de recursos e na realização dessas obras.

Os participantes da audiência pública ressaltaram também que a luta contra a crise hídrica tem que ser nacional e integrada.

Fonte: Agência Senado

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